Flexibilidade no Futebol - parte 1

Profa. Ms Gizele Monteiro

É de fundamental importância o entendimento do comportamento da Flexibilidade no Futebol, uma vez que ela tem relação com o desempenho da força muscular, velocidade, qualidade do gesto técnico e sua deficiência pode predispor a lesões musculares e desequilíbrio postural (Godik, 1996; Bompa, 2002).

A medida da Flexibilidade é importante para o exame físico, o qual permite ao preparador físico avaliar disfunções e avanços da recuperação funcional ou predisposições a patologias do movimento (Norkin & White, 1997).

Tem sido sugerido que a rigidez restringe a AM (amplitude de movimento) e provavelmente predispõe à ruptura muscular e tendinites e prejudicando a performance nos desportos onde a flexibilidade é importante. Encurtamento provocado por velhas lesões com persistente cicatriz tecidual, fibrose e adesão em músculo e estruturas envoltórias (Ekstrand & Gillquist, 1982; Pedrinelli, 1994).    

As lesões musculares são muito importantes dentre as ocorrências mais freqüentes no futebol. No estudo de Pedrinelli (1994) as lesões musculares foram o segundo tipo mais freqüente, tendo um maior comprometimento a coxa, acometendo mais os jogadores de meio-campo, que são atletas que utilizam a musculatura de maneira constante, com intensidade menor os pontas, que são atletas que realizam mais corridas de curta distância em velocidade (utilizando de maneira inconstante, porém, com intensidade maior, a musculatura flexo-extensora do joelho causando sobrecarga importante.

Um levantamento realizado em 8 equipes profissionais do futebol brasileiro por Cohen e colaboradores em 1997, teve o objetivo de avaliar a incidência das lesões na modalidade. A maioria das lesões ocorreram em jogadores do meio-campo e ataque (66,1%), nos membros inferiores e em traumas sem contato físico (69,8%). As lesões musculares (39,2%), principalmente na coxa (34,5%) foram as mais freqüentes e o retorno aos treinamentos e jogos ocorreu em média após 1 semana (66,9%), representado na maioria dos casos, lesões leves. Os times que realizaram mais jogos e disputavam mais campeonatos, apresentaram uma maior incidência de lesões, demonstrando que a maior exposição, o menor tempo de reabilitação e recuperação física, são fatores que influenciam na procura do departamento médico por parte dos atletas (Cohen, 2001).

A combinação de fatores extrínsecos como erros no treinamento e fatores comportamentais e intrínsecos ou fatores anatômicos como alinhamento ósseo da extremidade, deficiência de flexibilidade ou lassidão ligamentar predispõem atletas ao desenvolvimento de lesões por overuse. A falta de flexibilidade agrava e predispõem ao desenvolvimento de várias lesões por overuse, especialmente aquela que ocorre em crianças e adolescentes, incluindo a tração apofisite. O déficit em flexibilidade pode melhorar com programa apropriado de alongamento (Krivickas, 1997).

Segundo Pedrinelli (1994) lesões musculares são ocasionadas por uma somatória de fatores, onde a não individualização do treinamento e as sobrecargas constantes não acompanhadas de período de compensações nos treinos físicos, são agentes etiológicos de grande importância.

Ekstrand & Gillquist (1983) documentaram 32 distensões de adutores (virilha) em 180 jogadores de futebol, representando 13% de todas as lesões durante 1 ano  observaram ainda que a Amplitude de Movimento (AM) da pré-temporada para a abdução do quadril foi menor em jogadores que tiveram distensão de adutores (virilha) comparada com jogadores não lesionados.

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