Síndrome Dolorosa Miofascial

Profa. Ms Gizele Monteiro

Uma das indicações do exercícios de alongamento é o alívio dos trigger points encontrados na síndrome dolorosa miofascial. Entenda um pouco do processo!

A Síndrome Miofascial tem sido definida como uma síndrome dolorosa regional acompanhada de pontos gatilhos (trigger-points) que são pontos hipersensíveis, acometendo um ou mais músculos e tecido conjuntivo relacionados a estes músculos, acompanhados de espasmo muscular, dor, limitação de movimento, fraqueza e ocasionalmente, disfunções autonômicas (BALBINO & VIEIRA, 2005).

Outra definição é: uma disfunção neuromuscular regional que tem como característica a presença de regiões sensíveis em bandas musculares contraturadas e/ou tensas que produzem dor referida em áreas distantes ou adjacentes. Esta dor miofascial pode se originar em um único músculo ou pode envolver vários músculos, gerando padrões complexos e variáveis de dor (WOLENS, 1998).

QUAIS SÃO AS CAUSAS?

Vários fatores podem desencadear: traumas (macro e micro traumas), alterações biomecânicas (discrepância de membros, aumento acentuado dos seios) e posturais, infecção ou inflamação devido a uma patologia de base, distensões crônicas, miosite aguda, etc (ZOHN, 1988). Outras causas incluem: lesões localizadas de músculos, ligamentos, cápsulas articulares, doenças viscerais, desequilíbrios endócrinos, exposição prolongada ao frio, deficiência de vitaminas C, complexo B, estrógeno, K+ e Ca+ , anemia, baixa taxa metabólica, hipotireoidismo, creatinúria, estresse emocional, tensão fadiga, inflamação, deficiência muscular (MANNHEIMER E LAMPE, 1984; FISHER, 1986). Estes fatores não corrigidos, podem perpetuar a dor miofascial (ZOHN, 1988).

COMPONENTES DA SÍNDROME MIOFASCIAL:

A síndrome miofascial tem componentes essenciais: ponto-gatilho, espasmo muscular segmentar, dor referida e o envolvimento de partes moles.

SIMONS (1990) apud MUSSE (1995) estabeleceu cinco componentes que podem ser usados como critério diagnóstico:

1. Queixa de dor regional;
2. Queixa dolorosa ou alteração sensorial na distribuição de dor referida esperada;
3. Banda muscular tensa palpável;
4. Ponto dolorido na banda muscular;
5. Restrição de alguns graus de amplitude de movimento (ADM),

Há três critérios menores:
1. Reprodução de queixa durante pressão no ponto
2. Contração durante inserção de agulha ou palpação transversal do ponto na banda
3. Alívio da dor pelo alongamento do músculo.

Pontos-gatilho: As zonas de pontos-gatilhos foram primeiramente descritas em 1936 com a reprodução de dor referida para ombro e braço por pressão na área superior da escápula. Travel relata estudos sobre estes pontos desde 1942.

O ponto-gatilho é um lugar irritável, localizado em uma estrutura de tecido mole, mais freqüentemente no músculo, caracterizado por baixa resistência e pela alta sensibilidade em relação a outras áreas (FISHER, 1995a). Quando se estimula esse ponto por 30 segundos com uma pressão moderada, surge uma dor referida.

Um ponto-gatilho é dito ativo quando é um foco de hiperirritabilidade sintomática no músculo ou fáscia com padrão de dor referida (dor espontânea ou ao movimento, diminuição da ADM, diminuição de força, dor à palpação e bandas tensas). O ponto em forma latente não causa dor, mas pode tornar-se activo por qualquer evento (trauma, stress), gerando a dor referida.

FISIOPATOLOGIA DO PONTO-GATILHO:

Há várias teorias: liberação de Ca +2, Inflamação neurogênica, abertura das comportas, desfacilitação do fuso, modificação no SNC, reflexos viscerossomáticos e somatoviscerais e dor referida e Sinais de SNA e memória.

Das teorias referidas a mais aceita é a liberação de Ca +2 e afirma que os pontos ativos podem ser iniciados por um trauma que localmente abre o retículo sarcoplasmático, liberando Ca +2. Este Ca +2 combina-se com o ATP para continuamente ativar os mecanismos locais de contração, gerando deslizamento e interação de actina e miosina com encurtamento do feixe muscular afetado. Isto causa uma contratura local (banda tensa), ou seja, a ativação de miofilamentos sem atividade elétrica e controle neurogênico. Esta atividade gera alto gasto energético e colapso da microcirculação local. O consumo energético sob condições de isquemia leva à depleção de ATP o que impede a recaptação do Ca +2 pelo retículo - ciclo vicioso auto-sustentado (MUSSE, 1995).

1 Comentário(s)! Comente mais!

  1. maria rosa brandao

    Sou paciente, eu li e me identifiquei com todos os sintomas acima.gostei muito porque sempre tive muitas duvidas com relaçao a todos os sintomas.

    Postado em 27/08/2010

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