Exercício no combate à osteoporose

O Método Mais Vida atua com a prescrição de exercícios para vários grupos especiais. Dentre esses grupos estão os idosos, saudáveis ou não. Os idosos podem se beneficiar muito de exercícios para manutenção de sua postura, saúde de seus movimentos, controle do peso corporal, entre outros.

Seque um exemplo da abrangência dos efeitos dos exercícios para esse grupo escrito de forma brilhante pelo professor Fabio Saba. Desfrutem da leitura!

Por Fabio Saba

Os exercícios indicados para a prevenção e o tratamento da osteoporose são os realizados com pesos (musculação, ginástica localizada e afins), ou aqueles em que o peso do corpo é usado como sobrecarga. Daí a importância dos idosos praticarem esse tipo de exercício. O que acontece é o seguinte: quando uma força é aplicada sobre o osso, ela gera uma leve curvatura, desencadeando uma série de reações que estimulam as células locais a aumentar a massa óssea para uportar o esforço. O contrário acontece na falta de aplicação de força sobre os ossos: se eles nunca são desafiados, jamais “sentirão necessidade” de se fortalecer, e acabam perdendo massa.

Por esse motivo o peso total do corpo influencia a densidade mineral óssea, fazendo com que as pessoas mais pesadas tenham ossos mais fortes. Essa parece ser a única vantagem daqueles que têm um peso acima do normal.

Os esportes se encaixam nesta mesma lógica. Esportes que proporcionam mais impacto, como corrida, basquete ou vôlei, em que o peso do corpo em movimento é lançado sobre os pés e a ossatura em geral, demonstraram ter um resultado mais positivo na manutenção da resistência dos ossos. Na realidade, algumas pesquisas vêm indicando que apenas alguns saltos por dia podem aumentar a densidade óssea. Isso aponta que mesmo pessoas de mais idade podem aproveitar os benefícios dessa prática.

No entanto, a prática isolada de esportes e atividades físicas não é suficiente para a prevenção, reversão parcial ou a cura da osteoporose. Os exercícios não podem ser recomendados como substitutos aos hormônios ministrados às mulheres após a menopausa. Dada a complexidade desta disfunção óssea, seu tratamento deve ser multifacetado, envolvendo muitos procedimentos conjuntos. Entre eles já é considerada indispensável a prática regular de exercícios físicos.

O American College of Sports Medicine (ACSM), entidade muito respeitada nos EUA, estabeleceu cinco princípios que devem ser seguidos num programa de exercícios para o tratamento e a prevenção da  osteoporose:

• Princípio da especificidade. Estimular os ossos dos membros inferiores por meio de exercícios não significa que os membros superiores estarão também estimulados, a não ser que também recebam os mesmos estímulos (por exemplo, musculação).

• Princípio da sobrecarga. Para que a densidade e força ósseas sejam aumentadas, é necessário que o exercício supere níveis normais de esforço.

• Princípio da reversibilidade. Os benefícios aos ossos irão persistir enquanto durar o programa de exercícios voltado ao combate à osteoporose. Terminado o programa, os benefícios cessam imediatamente.

• Princípio dos valores iniciais. Aqueles que tiverem as menores densidades ósseas e os menores níveis de força dos ossos terão maiores benefícios do que aqueles que tinham inicialmente níveis mais próximos do normal de força e densidade de seus ossos.

• Princípio da diminuição do ganho. Fatores genéticos são determinantes na densidade e força dos ossos. À medida que os praticantes vão se aproximando dos limites genéticos de seus ossos, os ganhos a partir do exercício físico vão diminuindo, até estacionarem.

A atividade física, é bom que se frise, não reverte as perdas sofridas pelos ossos, não restaura a integridade óssea e também não modifica os efeitos negativos gerados pelas alterações hormonais e de alimentação. Os efeitos positivos do exercício físico sobre a osteoporose se dão no sentido de conservar a massa óssea e diminuir suas perdas, naturalmente ocorridas com o envelhecimento.

Além disso, um corpo ativo tem, em princípio, melhores condições neuromusculares, o que faz com que os idosos nessas condições sejam menos suscetíveis a quedas, que são o maior risco de saúde em função da facilidade com que um osso com osteoporose se fragmenta.

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