Flexibilidade da coluna cervical do idoso

Profa. Gizele Monteiro

A redução da Flexibilidade (amplitude de movimento-ADM) no processo de envelhecimento é multifatorial. Devem-se levar em consideração, os processos degenerativos, sejam eles discais, ósseos e/ou ligamentares, além de encurtamentos musculares e desuso. Com o envelhecimento a estrutura dos discos intervertebrais se degenera e, conseqüentemente, o conteúdo médio de fluido e a altura média do disco diminuem. Esta diminuição da altura faz com que as vértebras fiquem mais próximas alterando as relações biomecânicas dessas articulações.

A maior proximidade das vértebras produz um aumento da compressão que será aplicada às superfícies articulares. Esse é apenas um dos diversos fatores que por si só já explicariam a restrição da ADM em idosos.

As articulações tornam-se menos estáveis e menos móveis com o aumento da idade, e os componentes articulares (cartilagem, ligamentos, tendões e líquido sinovial) apresentam mudanças estruturais e funcionais durante o processo de envelhecimento. Estas alterações incluem o aumento no número de cross-links no colágeno e elastina, espessamento da membrana basal e mudanças na concentração do ácido hialurônico, que irão alterar a atividade metabólica e aumentar a resistência dos tecidos conectivos. O resultado final é rigidez tecidual e menor flexibilidade articular.

Geralmente, com a idade, a membrana sinovial torna-se mais fibrosa e o líquido sinovial apresenta evidências de um decréscimo na viscosidade. Normalmente o ácido hialurônico auxilia na regulação da viscosidade dos tecidos.

Com isso, reduções na secreção de ácido hialurônico devem diminuir a eficácia dos movimentos articulares e diminuir a flexibilidade articular. Além disso, a produção de ácido hialurônico é aumentada com o exercício; dessa forma, um decréscimo na atividade afetará negativamente a produção de ácido hialurônico, gerando restrições teciduais e diminuição da mobilidade.

O estudo de Carvalho et al (2006) que avaliou 40 idosos assintomáticos com idade entre 60-75 anos, subdivididos pelo seu respectivo nível de aptidão física não observou diferenças na flexibilidade (ADM) para os movimentos de flexão e extensão. Porém para os movimentos de flexão lateral direita e esquerdarotação direita e esquerdaapresentaram os valores de amplitude diminuidos quando houve a comparação entre os grupos “praticantes de atividade física” e “sedentários”.

Esse resultado demonstra que o nível de atividade física pode ser um fator benéfico na preservação da flexibilidade em idosos.

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2 Comentário(s)! Comente mais!

  1. Nilson Souza de Oliv

    Tema bem organizado e dinâmico.
    Prof. Gizele, por favor.
    Conhece o trabalho de uma autora soviética sobre redução da flexibilidade em adolescentes praticantes de natação de alto rendimento?
    Qual é o nome desta autora?

    Postado em 10/03/2010
  2. Gizele Monteiro

    Olá Nilson,

    obrigado pelo contato.
    Eu desconheço tal autora. Inclusive porque pelo que vemos nadadores internacionais são “muito flexíveis”, chegando a apresentar vários critérios de hipermobilidade.
    Segue os links:

    http://www.gizelemonteiro.com.br/2009/12/25/hipermobilidade-importancia-da-identificacao/

    http://www.gizelemonteiro.com.br/2009/12/26/hipermobilidade-como-identificar/

    Dê uma olhada e estudada em várias fotos.

    Atenciosamente,
    Gizele Monteiro

    Postado em 11/03/2010

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