Profa. Ms Gizele Monteiro
As doenças articulares e do tecido conjuntivo que limitam a mobilidade articular, isto é, a flexibilidade, são alguns dos problemas associados ao diabetes.
O tecido conjuntivo está presente em todo o corpo e é sujeito a alterações que resultam em mudanças na matriz extracelular de vasos e tecidos que levam em longo prazo as complicações da diabetes. Uma alteração do tecido conjuntivo resulta em perda da flexibilidade.
As anormalidades na pele e tecido periarticular resultam em síndromes que limitam o movimento articular, incluindo a mobilidade articular limitada (hipomobilidade), doença de Dupuytren, síndrome do túnel do carpo, rigidez da mão, etc. Lesões nervosas são associados a diminuição da sensibilidade de mãos e pés.
A razão para que o diabético seja vulnerável as doenças acima relatadas é devido ao efeito tóxico que os níveis elevados de glicose sangüínea têm sobre os vasos, nervos e outros tecidos como o tecido conjuntivo.
No tecido conjuntivo o distúrbio do metabolismo da glicose no diabético pode produzir uma superglicozilação de colágenos específicos. Como conseqüência há o acúmulo de tecido conjuntivo com espessamento das membranas, aumentando as ligações cruzadas. Um estudo identificou que diabéticos tiveram um aumento das ligações cruzadas, aceleração do envelhecimento do colágeno e maior ruptura nos tendões que quando comparados a indivíduos não-diabéticos. A qualidade do colágeno do tendão em diabéticos juvenis foi bioquimicamente equivalente à encontrada no colágeno de pessoas não-diabéticas de 50 a 60 anos, incluindo uma predisposição para ruptura espontânea do tendão.
Estudos realizaram análise para verificar a limitação da flexibilidade em mãos e pés em pacientes diabéticos. Os autores mediram a flexibilidade ativa em 50 pacientes com diabetes tipo 1 e compararam com 44 indivíduos saudáveis. Nos pacientes diabéticos a flexibilidade foi menor em todas as articulações medidas, havendo uma limitação de 2 a 20% nas mãos e 10 a 14% nas articulações dos pés.
PROGRAMA DE FLEXIBILIDADE:
Infelizmente os profissionais da área não dão a real importância para o treinamento da flexibilidade para indivíduos diabéticos.
Um bom programa para o treinamento da flexibilidade, inicia-se com uma avaliação dos níveis de flexibilidade e posteriormente o acompanhamento desses índices torna-se importante como um dos meios para reduzir os problemas que a falta de flexibilidade pode ocasionar.
Deve-se prescrever exercícios de alongamento de forma geral, mas temos que ressaltar a importância de exercícios que foquem as extremidades.
Estudos demonstram que um programa de exercícios de alongamento supervisionado pode reduzir a pressão plantar em pés de diabéticos. Uma alta pressão plantar tem sido associada com ulceração neuropática diabética e pode ser possível reduzir o risco de ulceração com essa terapia.
O Método Mais Vida®, preocupado com o atendimento de qualidade para pessoas que pertencem aos vários grupos de doenças (diabetes, cardiopatia, obesidade) oferece um programa desenvolvido especialmente para cada situação.
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REFERÊNCIAS:
Rosenbloom AL, Silverstein JH. Connective tissue and joint disease in diabetes mellitus. Endocrinol. Metab. Clin. North Am. 25(2):473-83, 1996.
Sauseng S, Kastenbauer T, Irsigler K. Limited joint mobility in selected hand and foot joints in patients with type 1 diabetes mellitus: a methodology comparison. Diabetes Nutr Metab 15:1– 6, 2002.
Goldsmith JR, Lidtke RH, Shott S. The effects of range-of-motion therapy on the plantar pressures of patients with diabetes mellitus. J Am Podiatr Med Assoc., 92(9):483-90, 2002.



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